Sua
empresa opera no contexto da Supply Chain? Se sim, essa é uma boa hora de
aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto. Pois as empresas de bens de
consumo têm enfrentado grandes desafios.
Tanto
na questão de distância geográfica, como as burocracias nacionais e ainda mais
a economia durante a pandemia são empecilhos para as empresas. Hoje em nosso
blog traremos uma parte do relatório do The Boston Consulting Group – Six
Strategies for Beating Brasil’s Supply Chain Complexities. (Em tradução livre: Seis
estratégias para vencer as complexidades da cadeia de suprimentos do Brasil).
O
tamanho do Brasil e sua ampla densidade populacional criam um alto grau de
fragmentação de canais. Por exemplo, 26% de todos os produtos de beleza e
cuidados pessoais são vendidos através de vendas diretas, uma porcentagem muito
maior do que na maioria dos outros mercados líderes, como os EUA, China e
Índia. Os produtos alimentares e bebidas são vendidos predominantemente por
varejistas independentes, que representam cerca de 40% da receita total, ao
contrário de outros grandes mercados, nos quais predominam os grandes
varejistas. "Empresas de bens de consumo que vendem principalmente através
de vendas diretas ou entrega direta da loja enfrentam custos e níveis de
inventário mais elevados. Entre os canais de vendas altamente fragmentados e as
vastas áreas geográficas a serem cobertas, é difícil conseguir economias de
escala", ressalta Flávia Takey, diretora da BCG e coautora do relatório.
Os
regimes fiscais nos 26 estados do Brasil variam muito e são complexos. As tarifas
dependem não apenas da categoria de bens, mas também da origem e do destino.
Além disso, as taxas cambiais mudam frequentemente, em parte porque os impostos
sobre o movimento de mercadorias são uma fonte crítica de receitas para os
governos estaduais. Por exemplo, uma empresa de São Paulo enviando seu produto
para o Rio de Janeiro pagaria cerca de 12% em imposto de valor agregado, mas se
o estado de destino fosse Goiás, o imposto seria de apenas 7%. Para as empresas
de CPG, os impostos representam uma parcela muito maior dos custos do que a
logística. Como resultado, eles têm um impacto maior que o normal na otimização
de redes no Brasil, criando ineficiências e exigindo frequentes redesenhos.
A demanda por produtos é altamente concentrada no final do mês, em grande parte por causa dos incentivos de vendas que as equipes de vendas oferecem aos seus clientes para cumprir metas mensais. Essa concentração de demanda geralmente causa excesso de estoque, grandes flutuações na utilização do armazém e altos custos de transporte.
Seis
Estratégias Vencedoras
Baseando-se
nas boas práticas de empresas de alto desempenho, juntamente com a experiência
do BCG com seus clientes, o relatório descreve seis estratégias abrangentes
para superar os obstáculos da cadeia de supply chain do Brasil.
- Buscar
pela simplicidade no portfólio.
- Segmentar
a cadeia de abastecimento.
- Ganhar
agilidade integrando planejamento de vendas e operações.
- Deixar
a cadeia de abastecimento mais flexível.
- Colaborar
- com os varejistas (e não apenas as principais contas), os pares da indústria
e provedores de logística terceirizados - para gerar valor agregado.
- Manter-se
focado na excelência operacional.
Entre
a amostra total - incluindo até os melhores - os autores identificaram
economias de até 20% nos custos totais da cadeia de suprimentos e até 20% na
redução do estoque que poderiam resultar dessas estratégias.
Qualquer
estratégia individual proporcionará melhorias, afirma o relatório, mas o
sucesso sustentável requer a aplicação dessas estratégias em combinação.
Empresas de CPG de qualquer tamanho podem atingir maiores níveis de serviço sem
prejudicar a rentabilidade.
"Isso
é ainda mais crítico hoje, já que o país continua a lidar com uma economia em
dificuldades e turbulência política", afirma Magalhães. "Qualquer
empresa que possa enfrentar estes tempos difíceis e agir além das simples
medidas de redução de custos estará melhor posicionada para vencer no longo
prazo".
No
Brasil, os compromissos padrão da cadeia de suprimentos - como sacrificar serviços
por economias de escala ou pagar mais pelo transporte por entrega direta de
lojas - não se aplicam sempre", diz Flávio Magalhães, sócio do BCG e
coautor do estudo. "As empresas têm que ser criativas e inovadoras se
quiserem conquistar participação de mercado de forma lucrativa."